Há tempos pensava na rotina, uma forma de a quebrar, mas a vida que levava apagava os desejos e os sucessos, e só restava tempo para os sonos e cansaços do dia-a-dia.
“Preciso mais de ti.“
Havia nela uma pose, um pé de dança que seduzia no olhar, sem cair no passo em falso de um cadafalso de palavras. A situação dominava com perícia, envolta no desejo de realizar-se realizando o mundo de sons que a rodeavam. E os cheiros detestava, sinónimo de fantasias.
“Vem...dança comigo esta noite...”
Olhava-o com encanto pelo desencanto da vida que apagara no passado, graças a ele. Vestia-se para ele, lançando-lhe notas, nunca em falso atropelo, e os pés saltitavam ritmados pelo dia-a-dia.
Previa agruras e lágrimas, não queria dançar sozinha. E à noite, pelo silêncio das cadências dos passos nocturnos, escrevia labirintos de pautas para as suas ancas. E contorcia os lábios, quase forçando o irromper do sangue.
“Não gosto de dançar.”
E ele desferia-lhe essa nota em frio ferro e o sorriso fugia para o canto da sala da música. Suspirava, mas não desistia. E sonhava-se acompanhada por ele, levada pela métrica africana que ouvia e fechava os olhos pela mão que lhe subia pela coxa. Sim...era este o embalo que desejara para si até à velhice.
Sofia dançava sozinha, mas sabia dentro de si que não sairia enganada daquele seu salão: rainha do tango, dócil, artística, feliz- mesmo que aos braços do seu próprio sonho. E como me embalo nele, e todos nós - um pouco, uma nota só, um só momento.
P.S.
Dedico-te este post, pela força que mostras ser na vida de todos aqueles que te rodeiam. Acompanho-te pelo caminho que seguires e estarei cá para os passos em falso ou em frente que deres. Pelos riscos que tomaste e vais tomar, minha companheira sonhadora, vives como inspiração e espero ser um espectador alucinado pela estrela que mora em ti.